quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Muro de Cristal...

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À sua frente permanece apenas um gigante e inerte muro. Não há reflexo nele e não é possível ver para além dele, por isso observa-o de forma curiosa, minuciosa, cuidada e, até, algo cautelosa. Com o correr do tempo, a sua imagem vai-se tornando cada vez mais translúcida e perde as suas várias camadas de realidade. Agora no lugar dos grosseiros tijolos que o compunham encontram-se pequenas caixas de cristal transparente e dentro de cada uma podem ver-se as palavras, as histórias, as memórias, os sentimentos, os planos, as esperanças, as aspirações, os medos, as incertezas e as confusões. A mais particular e minúscula caixinha chama a sua atenção. Dentro dela é apenas possível ver um brilhante fio de luz.

Detém-se em terror, sufoca e retrai-se. Pensa no que aconteceria se, por magia, aquele muro desmoronasse, todas as caixinhas abrissem e, pior, o que seria daquele particular, minúsculo, brilhante e delicado fio de luz…

Lembrando as noites em que espiava os jardins da vizinhança, apressa-se a escalar aquele muro, mas, desta vez, com um objectivo perfeitamente definido…não pode permitir que algo aconteça à tão única caixinha. Assim que a alcança, a sua pressa e histeria conduzem a um certo estado de loucura e acaba por quebrá-la ligeiramente. É neste momento que percebe que deve segurá-la com toda a delicadeza para que a força e a pressão das suas mãos não sejam capazes de a despedaçar.

No entanto, isto leva a que se sinta sob uma constante ameaça, a possibilidade de ser incapaz de conservar para sempre aquilo que agora é para si tão importante e que lhe transmite a audácia de espreitar o que se encontra do outro lado do gigante muro. Já no seu topo, sem demoras e sob a pena da mortalidade, cerra com toda a força os seus enormes olhos cor de Outono e volta a abri-los…

Daquele lado e para sua desilusão, somente uma infindável imensidão de incoerências, ambiguidades em que nada é garantido, espectável ou relaxante e tudo é uma enorme e aterrorizadora confusão.

Perante aquele estranho cenário, debate-se…Se tudo é tão cruel, como pode ser perversamente tão doce, maravilhoso, estimulante e irresistível?

segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

Lembro-me de ti...

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Todos os anos, neste dia insisto em lembrar-me de ti…Insisto ainda em não compreender e incomoda-me o facto de já serem poucos aqueles que como eu se lembram de ti…Entristece-me que não passes de uma memória, uma memória muito diluída, esbatida e, por vezes, até distorcida, mas entristece-me muito mais que para muitos nem uma memória sejas.

Desde o dia em que tudo aconteceu receei o momento em que me esqueceria de ti e, portanto, tentei sempre não esquecer. Mais cedo ou mais tarde fui obrigada a compreender que era natural que fosses caindo no esquecimento e que o lembrar-te de forma tão intensa seria muito pouco saudável. Assim, forçada a esquecer-te, decidi que, pelo menos neste dia, te lembraria sempre.

Infelizmente, a memória de ti já não é tão viva nem tão pouco exacta. Lembro-me dos momentos mais marcantes, da alegria e da súbita tristeza e lembro, especialmente, o teu sorriso e as horas que passava de volta dos teus longos e dourados caracóis. Essas sim, ainda são as memórias que tenho mais presentes e aquelas que guardo com maior carinho.

É precisamente devido a esse carinho, que existirá sempre, que insisto em lembrar-me de ti e, por isso, não consigo deixar passar este dia em branco, sem te recordar, sem te “celebrar”, até porque sem ti, sem tudo o que vivemos e tudo aquilo que ficou por viver eu não seria quem sou, a minha vida não seria o que é…

No entanto, por muito que o nosso passado influencie o nosso presente e futuro, a vida não está no passado.

Lamentavelmente ou não, não consigo ser tão peremptória quanto Fernando Pessoa que no “Livro do Desassossego” diz “Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade de nada. Não tenho esperanças nem saudades”, mas reconheço que se impõe um virar de página.

Desta forma, concluo que a memória de ti esbater-se-á cada vez mais, mas farás sempre parte de mim e, por isso, pelo menos neste dia, recordar-te-ei sempre.

quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Mudança

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Passado meses sem nada escrever neste blog…

Adormeci, anestesiei quem e tudo aquilo que sou e sinto, vivi psicologicamente presa em alguém que não era eu e que nada tinha que ver comigo…Agora, como que acordada de um sono mágico repleto de sonhos confusos, espero o recomeço. Feliz, anseio pelo que se aproxima; curiosa e ávida de novas experiências, observo de forma pormenorizada tudo o que ocorre à minha volta e todas as atitudes que vou tomando; algo inconsciente e extasiada, envolvo-me em tudo o que me possa trazer felicidade ainda que fugaz; e, finalmente, livre, sigo os meus instintos sem preocupações e com toda a predisposição para assumir qualquer consequência!

Sinto-me, por vezes, como em estado de Nirvana, um estado de consciência suprema de perfeita felicidade e libertação.

Embora tenha sempre sido resistente à mudança pessoal, pelo terror que essa ideia me causava, chegou o dia em que decidi mudar e como em todas as decisões que alguma vez tomei, dei início à luta para atingir os meus objectivos. Olho para trás e percebo os momentos felizes que vivi, cresço com eles, mas a ânsia de mudança, a ânsia de conhecer aquilo que o futuro me reserva combinada com a valorização da vivência de cada dia são os aspectos que mais marcam o meu dia-a-dia.

Olho o futuro com o mesmo olhar esperançoso que podemos observar numa criança de cinco anos, mas esse olhar, apesar de puro e verdadeiro, esconde o medo de mudar e, pior, o medo de não mudar.

Ainda que queiramos negar, a vida transforma-nos e é no momento em que nos compreendemos a nós próprios e nos desligamos da rigidez das nossas convicções que maior probabilidade temos de encetar percursos de mudança de sobremaneira positivos.

Existe, no ser humano, uma tendência natural para procurar manter o controlo sobre a sua vida e daí que resista à mudança. No entanto, esta resistência apenas nos pode desgastar por tanto “remar contra a maré”.

É chegado o momento de sorrir à vida, saber quem sou, saber existir enquanto EU, definir-me, encontrar-me, emancipar-me…é altura de me pôr à prova, conhecer os meus limites e não impor limites…é o momento da mudança.

sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Ataque de optimismo!

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Está bem...Já sei que é enfadonho chegar ao blog e "Ah e tal, um novo post!" e depois "Oh não!É mais uma música!". Não tenho culpa...Acho sinceramente que a música é uma das melhores formas de expressão e nesta fase mereço ter um ataque de optimismo!
Lembrei-me, então, de uma das músicas mais optimistas que já ouvi, uma música em que se celebra aquilo que temos e que não dá importância nenhuma àquilo que desejávamos ter!
Assim, aqui vai!

Nina Simone - Ain't Got No/I've Got Life

Ain't got no home, ain't got no shoes
Ain't got no money, ain't got no class
Ain't got no skirts, ain't got no sweater
Ain't got no perfume, ain't got no beer
Ain't got no man

Ain't got no mother, ain't got no culture
Ain't got no friends, ain't got no schooling
Ain't got no love, ain't got no name
Ain't got no ticket, ain't got no token
Ain't got no God

What about God?
Why am I alive anyway?
Yeah, what about God?
Nobody can take away

I got my hair, I got my head
I got my brains, I got my ears
I got my eyes, I got my nose
I got my mouth, I got my smile
I got my tongue, I got my chin
I got my neck, I got my boobs

I got my heart, I got my soul
I got my back, I got my sex
I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood

I've got life , I've got my freedom
I've got the life

And I'm gonna keep it
I've got the life
And nobody's gonna take it away
I've got the life

segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

José Afonso no seu melhor!

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Sendo este o primeiro post que faço no ano 2008 não podia faltar uma musiquinha, verdadeiramente genial:

Zeca Afonso (Venham mais cinco - 1973) – Que o amor não me engana

Que o amor não me engana,
com a sua brandura,
se da antiga chama,
mal vive a amargura.

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia?

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

segunda-feira, 31 de Dezembro de 2007

Jake, o estripador

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Provavelmente nunca se viu por este blog um título como este.
Pois bem, escrevo este post por várias razões que passarei a explicar.
Primeiro, porque pretendo homenagear um escritor em ascensão, cujo trabalho não tem sido devidamente valorizado e, assim, com este post posso demonstrar o meu apoio e apreço. Este escritor responde pelo nome Miguel Braga, sendo meu amigo e aluno d e uma certa personalidade intelectual (ou não), da qual já falarei, e de outra professora (essa sim, uma verdadeira personalidade intelectual lol) muito próxima da minha pessoa lol!
Segundo, pois o texto que apresentarei trata-se de uma homenagem à própria personagem da história, que é digna de homenagem, uma vez que a história é baseada em factos reais, sendo que o referido Jake, o estripador era efectivamente um hamster do Colégio Teresiano em Braga, inicialmente chamado Teco, que foi sujeito à convivência com outro hamster de seu nome Tico. O que sucede é que após um belo fim-de-semana o Tico apareceu morto na gaiola de ambos e com os seus restos mortais todos roídos. Perante esta situação, uma aluna do Colégio Teresiano decidiu acolhê-lo em casa, dando-lhe o nome de Jake, o estripador. Infelizmente, Jake, o estripador morreu há cerca de um ou dois meses, pelo que o referido escritor em ascensão – Miguel Braga – decidiu escrever uma pequena história em homenagem ao mesmo.
Terceiro, porque a referida personalidade intelectual (ou não) faz-me recordar um “triste” episódio da minha vida e, por isso, sentir a necessidade de manifestar o meu apoio a todos aqueles que, tal como eu e o escritor desta história, estão sujeitos e são vítimas do ensino da disciplina de Português ministrada no ensino secundário pela Prof. Alice Pacheco. Esta senhora, de uma inteligência mundialmente reconhecida lol, para além de não ter o devido discernimento para apreciar convenientemente a escrita de Miguel Braga, foi a senhora que no meu 12º Ano (sim, aquele ano em que as pessoas já têm 18 anos lol) após eu ter chegado atrasada à sua aula, ter verificado que toda a turma estava na treta e ter caído no erro de perguntar à colega que estava sentada à minha frente o sumário da mesma aula, me…como hei de dizer isto…espetou com o livro Aparição de Virgílio Ferreira na cabeça!!! É verídico!!! Isto levou a um desatino completo dentro da sala de aula, da minha parte claro, e a uma queixa no Concelho Executivo da mesma escola. Situação um bocado complicada, mas que ficará para sempre gravada na minha memória.
Por todas estas razões e outras como a imensa piada e criatividade que encontro não só no texto que se segue como na personalidade e cabeça deste Senhor de seu nome Miguel Braga e quase com 16 anos lol, transcrevo agora a tão aclamada história!

Jake, o estripador
Memórias de um hamster doméstico

Por Miguel Braga


Eram dias sem significado, via-me numa casa vedada por todos os lados por onde conseguia ver o horizonte sem dali sair. Era a minha gaiola, a minha gaiola de hamster, com a roda de plástico verde e a casinha no segundo andar, a mesma que ainda hoje chamo casa... Era um jovem energético aprisionado num fim do mundo com vista para a janela onde apenas via liberdade, a liberdade de poder correr num espaço maior que os meus modestos 3 dm3... Foram tempos de tristeza, mas nem uma fracção da que hoje me assombra...
Foi na tarde de 22 de Dezembro que entrou uma família na loja de animais à procura de um hamster para a filha mais nova. Não sei porquê pôs-me logo aos saltos, “Sou eu! Sou eu!” queria eu gritar mas lá me controlei, não queria que me vissem como o animal que iria guinchar a noite inteira sem os deixar dormir. Lá ajeitei o pêlo e vesti o meu melhor sorriso, a menina estava a olhar e, embora de jovem já pouco se visse, ela insistia em apontar para mim enquanto sorria. Os pais não foram tanto com a minha cara…Preocupavam-se com os meus 2 aninhos, achavam que se eu morresse poderia traumatizar-lhes a filha. Mas o diabo da gaiata era uma mimada da pior espécie e tanto teimou que lá me foram buscar juntamente com a minha gaiola
Estava todo contente, ainda não conhecia o Natal e ver a casa toda decorada, cheia de luzinhas e a família em peso alegre fazia-me sentir animado. Não tinha nada em comum com o aborrecimento da lojinha da bicharada, aqui havia vida e sempre que ouvia a campainha tocar sabia que vinham mais uns tios e seus filhos dar de comer ao hamster amoroso da Maria, o Jake. Maria era a minha dona, com 5 anos já andava toda despachada a querer ajudar a mãe nos doces natalícios, aqueles olhinhos azuis e cabelo loiro solto não aceitavam um não como resposta. Foram bons tempos, e é por a vida ser velhaca e cruel, que eles não voltam...
Passei a ser o melhor amigo e confidente da Maria, apesar de me dar bem com toda a família incluindo o gato preto presunçoso, o Sam, que me acordava às tantas da noite quando chegava tarde da boa vida, ela era quem mais atenção me dava, não houve dia em que ela não me desse de comer ou que não me limpasse a gaiola (limpezas não eram o meu forte). Fazia os sacrifícios de ficar com ela a estudar até às tantas para os testes complicados que começou a ter no primeiro ano, e sem me queixar pois queria que ela tivesse o melhor futuro que pudesse. E ela era esperta, nunca acabaria a trabalhar numa loja de animais. Quantas vezes vinha a chorar porque o namorado não lhe ligava para dizer boa noite e já perdi a conta das que lhe ralhava por andar a assobiar da janela aos garotos que iam para a catequese ao domingo de manhã…Estranho para uma menina do primeiro ano, acho que isto já são memórias que fabriquei por andar fechado na gaiola que não é limpa há meses enquanto vejo na televisão a pior programação que os humanos se lembraram de pôr a dar...
Penso que está na altura de falar do dia em que tudo mudou, quando fiz 4 anos abençoaram-me com uma companhia... Sem me perguntarem se queria, trouxeram-me o Bob. Era jovem e cheio de vida e queria tanto como eu ser amado pela Maria mas por mais que tentasse não conseguia, era preguiçoso e andava sempre armado em bom a pregar-me partidas com o Sam que já nem saía à noite, suspeito eu que a barriga já nem passava pela portinhola.
Bicho com tão mau carácter nunca seria tão acarinhado como eu e isso deixava-o fulo. Por isso, depois de um dia agitado em que a minha dona se lembrou de me levar para a escola para me apresentar aos seus amigos (maldito dia), cansado e aterrorizado por ter sido esganado umas dez vezes por crianças com as mãos cheias de compota e/ou lama tive que ouvir mais uma vez as lamúrias do Bob…Mas desta vez ele estava alterado, depois de um dia a conspirar com o Sam contra mim, via nele um olhar de louco que me aterrorizava, ele seguramente só beneficiava com a minha morte, mas nunca o achei capaz. Atirou-se a mim, aqueles dentes eram mais afiados que os meus e tinha a agilidade que eu tivera há uns bons anos, mas a minha natureza não me permitia deixá-lo sair-se a rir e então, acidentalmente, empurrei-o contra a grade da gaiola e só vi jorrar sangue, do sítio onde não acreditava que existisse coração saía a farpa mal cortada da nossa gaiola e os olhos negros dele simplesmente deixaram de exprimir o ódio que outrora lá havia…A vida que eu tomara conscientemente, sentia o sangue nas minhas mãos como se ainda quisesse viver. Eu tirei-lhe esse direito e por não querer aceitar esta realidade, deixei-me desmaiar num misto de exaustão e dor…
No dia seguinte acordei com um grito de horror, “O raio do animal assassinou o Bob!”, “Que nojo!”, “Vamos mandá-lo de volta para a loja onde devia ter ficado!”. Não! Aquilo não fora obra minha, eu defendi o meu pêlo e quase bati a bota, lutei para viver, não me podiam ter julgado…Mas fizeram-no, e afastaram-me da minha companhia, tiraram-me a minha razão de viver sem sequer duvidar se faziam o que estava correcto.
Hoje tomei a minha decisão, já com 4 anos não aguento ver o dia de amanhã. Não aguento ver indiferença nos olhos da Maria quando passa por mim, agora que já nem estou no quarto dela, passo dias sem a ver. E saber que ela não me perdoou, é algo mais mortal que qualquer farpa da gaiola... Deixo assim a minha história, a história de um hamster escrita pelo próprio. Porque hoje ponho fim à minha vida, por fraqueza e dor parto na busca de algo melhor. Só espero que no meu sono eterno encontre forma de ser perdoado para que para sempre viva, nos olhos azuis daquela rapariga...



Para ti, Miguel, acho que está muito engraçado e criativo! Parabéns! Aos meus leitores, que são praticamente nenhuns lol, perdoem-me por mais um devaneio lol!

domingo, 30 de Dezembro de 2007

Addiction

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The thing about addiction is, it never ends well. Because eventually, whatever it is that was getting us high, stops feeling good, and starts to hurt. Still, they say you don’t kick the bad habit till you hit rock bottom. But how do you know when you’re there? Because no matter how badly a thing is hurting us, sometimes, letting it go hurts more.